“Estamos todos apreensivos”: pais relatam medo no retorno das aulas após ataque em escola de Rio Branco


Duas semanas após o atentado armado que matou duas servidoras no Instituto São José, em Rio Branco, o retorno gradual das aulas presenciais ainda é marcado pelo medo, insegurança e apreensão entre pais e responsáveis. Apesar do reforço policial e das novas medidas de segurança adotadas pela escola, familiares afirmam que o trauma provocado pelo ataque continua presente na rotina da comunidade escolar.
As atividades presenciais começaram a ser retomadas de forma escalonada na última segunda-feira, 18, com presença da Polícia Militar, detectores de metais e ações de acolhimento psicológico voltadas a estudantes, servidores e familiares.
Pai de dois alunos matriculados na instituição, Levi Souza contou que ainda sente medo ao deixar os filhos na escola, mas afirmou que a presença policial trouxe um pouco mais de confiança durante o retorno.
Foto: Vitor Paiva
“Depois do ocorrido, claro que a gente sente uma insegurança, um medo. Eu tenho dois filhos que estudam aqui. Mas, com a presença da polícia, algumas seguranças que tem aí, a gente se sente mais confiável. Não é que a gente esteja totalmente seguro, mas a presença da polícia traz essa segurança para nós, pais”, afirmou.
Já o responsável Manoel Rodrigues de Souza Neto afirmou que o caso gerou impacto emocional em toda a comunidade escolar e relacionou o episódio ao crescimento da violência e da cultura armamentista no país.
“É claro que há um impacto. Nós estamos todos apreensivos. Infelizmente isso podia ter acontecido em qualquer escola do Brasil”, disse.
Durante a entrevista, Manoel também criticou a disseminação da violência nas redes sociais e o acesso facilitado às armas de fogo.
Foto: Vitor Paiva
“Além da cultura de armas, distribuição de armas. Todo mundo tem que ter arma, com a ilusão de combater a violência. No efeito contrário está acontecendo. Nem todo mundo tem habilidade para lidar com a arma. As crianças se apropriam das armas dos pais e acontece o que aconteceu lamentavelmente”, declarou.
O atentado ocorreu na tarde do último dia 5 de maio, quando um adolescente de 13 anos, aluno da própria instituição, entrou armado no colégio e efetuou disparos dentro da unidade. As inspetoras Alzenir Pereira da Silva, de 56 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 36 anos, morreram no local. Outras duas pessoas ficaram feridas, entre elas uma estudante de 11 anos e uma funcionária da escola.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil e acompanhadas pelo Ministério Público do Acre apuram a possível influência de grupos virtuais e eventual participação de terceiros na motivação do ataque.
Segundo comunicado enviado às famílias, a retomada das aulas foi organizada após reuniões entre representantes da Educação, Saúde, Assistência Social, Segurança Pública, Ministério Público e Tribunal de Justiça. A direção da escola informou que as primeiras semanas terão foco principal no acolhimento emocional da comunidade escolar.
Cronograma de retorno das aulas

Na última segunda-feira, 18: retorno dos alunos do 1º, 2º e 3º anos no turno da manhã; turno da tarde sem retorno;
Na terça-feira, 19: retorno dos estudantes do 1º ao 5º ano no turno da manhã; tarde sem retorno;
Na quarta-feira, 20: manhã com turmas do 1º ao 5º ano e turmas 61, 62, 81 e 82; tarde com retorno dos 6º e 7º anos;
Na quinta-feira, 21: manhã com turmas do 1º ao 5º ano e turmas 61, 62, 81 e 82; tarde com retorno dos 8º e 9º anos;
Na sexta-feira, 22: manhã com turmas do 1º ao 5º ano e turmas 61, 62, 81 e 82; tarde com retorno completo dos 6º, 7º, 8º e 9º anos. (A Gazeta do Acre – Jornal)

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